Biofábrica do Método Wolbachia inicia atividades na cidade a partir desta semana
Da Redação
Em 23/07/2025 às 17:50
A liberação de 1 milhão de mosquitos combatentes da dengue vai contemplar 83 bairros da cidade
(Foto: Cedida/WMP)
Na sexta-feira (25), terão início as atividades da Biofábrica do Método Wolbachia em Presidente Prudente. A iniciativa promoverá a liberação de mais de 1 milhão de mosquitos Aedes Aegypti com a bactéria Wolbachia, que servirão no combate à dengue.
A tecnologia consiste na introdução de um microorganismo - chamado Wolbachia - nos mosquitos Aedes aegypti, que os impede de transmitir dengue, Zika, chikungunya e outras arboviroses. A Wolbachia está naturalmente presente em cerca de 60% das espécies de insetos, como borboletas, libélulas e moscas, e não causa danos à saúde humana ou ao meio ambiente.
Quando os mosquitos com Wolbachia são liberados na natureza, eles se reproduzem com os mosquitos locais e, ao longo de semanas, a maioria da população passa a ter essa bactéria. Assim, a Wolbachia se mantém nas novas gerações de mosquitos, reduzindo a transmissão das arboviroses.
A biofábrica
Com aproximadamente 400 m², a biofábrica está localizada no Jardim Everest. Ela é equipada com salas de triagem, larvas, tubos, lavagem, estoque e refeitório. É nesse espaço que profissionais capacitados realizarão as etapas finais do método, incluindo a eclosão dos ovos dos mosquitos com Wolbachia e a montagem dos tubos para liberação em campo.
De acordo com a Gestora de projetos do Método Wolbachia, Ana Carolina Rabelo, os resultados da implementação do método podem ser observados de um a dois anos após o encerramento das solturas dos Wolbitos.
“As liberações dos Wolbitos em Presidente Prudente devem durar aproximadamente 28 semanas. É fundamental que todos conheçam e compreendam essa tecnologia que atua no combate às arboviroses. A gente ressalta que a população precisa seguir tomando todos os cuidados. O Método Wolbachia é uma estratégia complementar. Tanto a população quanto os governos locais devem seguir mantendo as ações contra a dengue, Zika e chikungunya”, reforça Ana Carolina Rabelo.
A implementação da tecnologia em Presidente Prudente está entre as seis novas frentes do World Mosquito Program (WMP) no Brasil, ao lado de Uberlândia (MG), Natal (RN), Foz do Iguaçu (PR), Londrina (PR) e Joinville (SC).
As liberações vão contemplar 83 bairros da cidade, entre eles: Ana Jacinta, Cecap, Jardim Bela Dária, Parque Furquim, Vila Maristela e Jardim Itatiaia. "A implantação da biofábrica em Prudente representa um importante avanço no combate à dengue, Zika e chikungunya. A tecnologia reduz significativamente a capacidade de transmissão dos vírus, contribuindo para aliviar a pressão sobre o sistema de saúde e para a melhoria da qualidade de vida da população. Mesmo com esse método, o município seguirá com visitas porta a porta, bloqueios de criadouros, mobilizações sociais e outros”, acrescenta a secretária municipal de Saúde, Adriana Vitório.
A seleção do município foi realizada pelo Ministério da Saúde, que considerou critérios técnicos como população acima de 100 mil habitantes, alta incidência de arboviroses, histórico de casos nos últimos 10 anos, clima e presença de aeroporto.
O método Wolbachia
Descoberta por cientistas da Monash University em Melbourne, na Austrália, e pelo coordenador do Programa no Brasil, Luciano Moreira, pesquisador da Fiocruz, a tecnologia Wolbachia já foi introduzida em 14 países.
As primeiras liberações de mosquitos com Wolbachia no Brasil começaram em setembro de 2014, no Rio de Janeiro, após a aprovação do governo e apoio da comunidade local. Antes da primeira liberação, a equipe passou mais de dois anos monitorando os mosquitos e trabalhando em locais de teste de campo.
Em 2017, após testes animadores em pequena escala, o World Mosquito Program iniciou implantações em larga escala no Brasil.
Eficácia
O Método Wolbachia tem eficácia comprovada. Um Estudo Clínico Controlado Randomizado (RCT, sigla em inglês), realizado em Yogyakarta, Indonésia, aponta uma redução de 77% na incidência de dengue em áreas tratadas com Wolbachia, em comparação com áreas não tratadas.
O impacto positivo da Wolbachia na redução das taxas de transmissão de arbovírus tem sido observado em várias cidades, inclusive em Niterói, onde o número de casos de dengue foi reduzido em 70%, chikungunya em 56% e Zika em 37%.
Em cenários mais complexos, como o Rio de Janeiro, a redução da transmissão da dengue variou de 10% a 76%, dependendo do estabelecimento da Wolbachia.
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