Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Em Prudente, mais de 20% das crianças estão vulneráveis à poliomielite

Ministério da Saúde classifica cidade com 'alto risco' da doença

Da Redação

Em 17/12/2022 às 09:24

Vacinação é a única forma de prevenção da pólio. Todas as crianças menores de 5 anos devem ser imunizadas

(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Sem campanhas de peso e, muito menos, conscientização dos pais. Neste cenário, a poliomielite volta a criar preocupação para autoridades de Saúde diante da queda brusca da cobertura vacinal de crianças em Presidente Prudente. Mais de 20% dos menores estão vulneráveis à doença, que não tem cura.

Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), representação da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, mostram que uma em cada 200 infecções pelo poliovírus resultam em paralisia irreversível (geralmente das pernas). Entre as pessoas acometidas pela doença, de 5% a 10% morrem por paralisia dos músculos respiratórios.

Conforme os dados apresentados pelo médico sanitarista da Vigilância Epidemiológica Municipal (VEM), Carlos de Macedo, Prudente era um exemplo de cobertura vacinal até 2017. “Quando as campanhas do Zé Gotinha eram lançadas, atingíamos a meta já no primeiro fim de semana. Neste ano, foram quase três meses de campanha, e a meta não foi atingida”, alerta.

Desde 2019, a cobertura vacinal da poliomielite tem caído na cidade, considerando que a porcentagem segura para manter a erradicação da doença deve ser igual ou superior a 95%:

- 96,1% em 2017

- 98,2% em 2018

- 84,9% em 2019

- 84,9% em 2020

- 79,6% em 2021

 “A poliomielite é uma doença não tratável, porém, é uma doença evitável. A vacina é segura, está disponível no SUS há mais de 30 anos e foi a principal responsável pela erradicação do vírus no Brasil. Não há qualquer argumento que justifique uma criança não vacinada”, ressalta o sanitarista. 

A vacinação é a única forma de prevenção da pólio. Todas as crianças menores de 5 anos devem ser imunizadas conforme esquema de vacinação de rotina e também por meio das campanhas anuais. 

O esquema vacinal consiste em três doses da vacina injetável (aos 2, 4 e 6 meses de vida) e duas doses de reforço com a vacina oral bivalente, conhecida como gotinha.

Alto risco

De com o Ministério da Saúde, Prudente está classificada como cidade de alto risco para o retorno da doença. Já o Brasil foi considerado como país de muito alto risco.

Para contornar a situação, um grupo gestor foi criado para colocar em prática um plano de ação com o objetivo de ampliar a cobertura vacinal contra a poliomielite. A ação envolve integrantes da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Conselho Tutelar e Ministério Público (MP).

Todos os municípios paulistas já foram orientados sobre a elaboração de dois planos, sendo um de mitigação para ampliar a cobertura vacinal e outro de ação, caso a doença seja positivada.

"Ambos já foram elaborados e enviados à Secretaria de Estado da Saúde para avaliação. Os planos serão revisados pelo Estado e devolvidos aos municípios, para que possam iniciar as práticas. Estamos nos antecipando, buscando orientações, para que possamos por em prática as primeiras ações já entre meados de janeiro e início de fevereiro”, explica Vânia Maria.

O último caso de poliovírus selvagem no Estado de São Paulo foi registrado na cidade de Teodoro Sampaio, em 1988. Já os últimos casos do Brasil foram em 1989, nos Estados do Rio Grande do Norte e Paraíba.

Entenda a doença

A poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, é uma das que mais preocupam as autoridades sanitárias. Trata-se de uma doença contagiosa aguda causada por um vírus que vive no intestino, o poliovírus, e que pode infectar crianças e adultos por meio do contato direto com fezes e secreções eliminadas pela boca de pacientes. Nos casos graves, em que acontecem as paralisias musculares, os membros inferiores são os mais atingidos.

A transmissão ocorre pelo contato direto com uma pessoa infectada, pela via fecal-oral (objetos, alimentos e água contaminados com fezes de pacientes) ou pela via oral-oral (gotículas de secreção ao falar, tossir ou espirrar. A falta de saneamento, as más condições habitacionais e hábitos de higiene pessoal precários são fatores que favorecem a transmissão do poliovírus.

Os sintomas mais frequentes da doença são febre, mal-estar, dor de cabeça, dor de garganta e dor no corpo, além de vômitos, diarreia, constipação (prisão de ventre), espasmos, rigidez na nuca e até mesmo meningite. Nas formas mais graves, instala-se a flacidez muscular que afeta, em regra, membros inferiores.

Não existe tratamento específico para a pólio. Todos as pessoas infectadas devem ser hospitalizadas e recebem tratamento para os sintomas manifestados, de acordo com o quadro clínico do paciente.

Sequelas

As sequelas da doença estão relacionadas com a infecção da medula e do cérebro pelo poliovírus. Normalmente, são sequelas motoras e que não têm cura.

As principais são: problemas nas articulações; pé torto; crescimento diferente das pernas; osteoporose; paralisia de uma das pernas; paralisia dos músculos da fala e da deglutição; dificuldade para falar; atrofia muscular e hipersensibilidade ao toque.

 

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