Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Estudantes de assentamento participam de vivências na Unesp de Prudente

Da Redação

Em 29/06/2025 às 16:25

Alunos apresentaram mapas que retratam as transformações ambientais, sociais e econômicas em seus respectivos territórios

(Foto: Cedida/AI)

Um dia de troca e incentivo à produção do conhecimento a partir do olhar sobre o espaço em que vivemos. Estudantes e professores da E.E. Assentamento Santa Clara de Mirante do Paranapanema, graduandos e pós-graduandos em Geografia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp de Presidente Prudente participaram de várias atividades inseridas em projeto interdisciplinar.

Alunos do 3º ano de Geografia e alunos do assentamento do ensino básico e do EJA (Educação de Jovens e Adultos) apresentaram os mapas produzidos por eles no decorrer do semestre, que retratam as transformações ambientais, sociais e econômicas em seus respectivos territórios.

O pós-doutorando em Geografia, Rodrigo Simão Camacho, responsável em conduzir as atividades no Assentamento Santa Clara, destacou a participação dos estudantes do EJA no processo. “Mesmo sendo a mesma metodologia, utilizando a Cartografia Social, notamos que os resultados são diferentes por causa das experiências de vida acumuladas pelos adultos”, explicou. 

Segundo o pesquisador, os participantes enfatizaram muito a produção da monocultura o que levou a universidade promover a reflexão sobre a importância da agricultura familiar e sua diversidade, que deve ser valorizada no campo.

Diferentemente dos estágios de observação em escolas que já realizou, Caio da Silva Macedo, estudante de Geografia, disse que o projeto superou as expectativas. “Eu me surpreendi com a positividade dos estudantes da EJA. Apesar dos inúmeros problemas que enfrentam para o trabalho no campo, buscam uma forma sustentável de viver”. 

Giovana Grosso Lopes, que veio de São Vicente para estudar Geografia na FCT, observou que os assentados tiveram dificuldades de representar o que fazem no seu dia a dia, como ir para escola. A presença dos pesquisadores do local, durante as reflexões coletivas que foram feitas, ajudaram a descondicionar o olhar e mostrar a importância de cada um no contexto social.

“O resultado foi fantástico. Revelou o processo de construção do conhecimento, a participação, a solidariedade de todas as pessoas envolvidas nos processos. Nós só conseguimos esse resultado porque todo mundo fez a sua parte”, afirmou o professor Bernardo, após agradecer nominalmente todos os estudantes da pós-graduação envolvidos e os docentes parceiros que atuaram em diferentes frentes do projeto.

Conhecendo a Unesp

Na segunda etapa, os estudantes da escola do Assentamento Santa Clara participaram do Tour FCT Unesp, visitando o Centro de Ciências, o Centro de Estudos em Educação, Trabalho, Ambiente e Saúde (Ceetas), o Centro de Museologia, Antropologia e Arqueologia (CEMAARQ) e a Biblioteca. 

Segundo Gisele Cristina Martins do Nascimento, que está atuando pelo primeiro ano na escola do assentamento, a visita pelo campus também amplia a visão de futuro dos alunos. “Mostrar a eles até onde podem chegar, por meio de oportunidades como o vestibular e os cursos oferecidos pela Unesp, contribui diretamente para o desenvolvimento do projeto de vida de cada um. A Biblioteca, por exemplo, é um espaço amplo, com acervo diversificado e área de informática, que realmente apoia o processo de aprendizagem. Para muitos, esse contato representa a descoberta de uma nova realidade, antes distante da vivência em suas cidades de origem”, opinou a docente.

Integração cidade e campo

A mesma atividade vivenciada pelos estudantes do Assentamento Santa Clara foi realizada com 20 alunos da E.E. Prof. Hugo Miele. O mestrando em Geografia, Wuelliton Felipe Peres Lima, que esteve à frente das atividades na escola urbana, assistiu às apresentações da escola do campo. “De maneira geral, a troca foi bem legal entre os estudantes de graduação e os do ensino básico. Todos conseguiram se apropriar das reflexões. No caso da Hugo Mieli, temos crianças da escola mobilizadas para atuar em seu entorno”, finaliza.

Além dos mapas, baseados na Cartografia Social, os alunos escreveram crônicas com o tema central “As mudanças climáticas, agrárias e urbanas no século XXI”. Os conteúdos produzidos serão analisados pelos pesquisadores para que todo o conhecimento gerado com o projeto seja publicado em artigos científicos.

No segundo semestre, uma nova frente de trabalho foi proposta aos representantes do Assentamento Santa Clara. O professor Dr. Antonio Cezar Leal propôs atuar com ações extensionistas sobre o uso de resíduos e da água nos lotes. 

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