Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Grupo de Atenção ao Tabagista ajuda prudentinos a pararem de fumar há 23 anos

Da Redação

Em 01/08/2025 às 17:48

De cada 10 pessoas atendidas, 6 a 7 deixaram de fumar definitivamente

(Foto: Freepik)

O Grupo de Atenção ao Tabagista (GAT), ação extensionista desenvolvida na Unesp de Presidente Prudente, surpreende pelos resultados alcançados com as mais de 2.400 pessoas que atendeu ao longo dos seus 23 anos de funcionamento.

O projeto de extensão de apoio à cessação do tabagismo surgiu quando a professora Dra. Ercy Mra Cipullo Ramos observou que o Centro de Estudos e Atendimento em Fisioterapia e Reabilitação (Ceafir) atendia um número alto de pacientes pulmonares crônicos com frequência, sendo a grande maioria tabagista ou ex-tabagista.

As ações se iniciaram com a comunidade interna da FCT, traçando uma análise epidemiológica do tabagismo dentro do câmpus. Foi quando a Divisão Regional de Saúde (DRS) conheceu o trabalho e propôs que o serviço fosse oferecido para toda comunidade de Prudente e região.

A docente cita a primeira capacitação que participou junto com a também professora do Departamento de Fisioterapia, Dra. Dionei Ramos, no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e outras Drogas (Cratod), do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que convidou as universidades e demais interessados a fazer um curso gratuito.

Segundo a professora, todo profissional da saúde que trabalha com o tabagismo precisa de uma capacitação específica. “Médico tem que ser capacitado, fisioterapeuta, psicólogo. Qualquer pessoa que for trabalhar com o tabagista, não basta ter uma profissão, tem que ser capacitado”, destaca Ercy.

A metodologia, difundida nacionalmente, inclui quatro semanas de intervenção inicial, com encontros semanais, seguidas de um acompanhamento quinzenal até completar um ano. “Só depois de um ano sem fumar é que a pessoa é considerada ex-tabagista”, explica Ercy.

Descobertas científicas 

Com o passar dos anos, o grupo passou a desenvolver pesquisa a partir das vivências com os participantes. O grupo já publicou diversos artigos originais sobre o tabagismo, incluindo um estudo de destaque sobre o transporte mucociliar, um mecanismo de defesa dos pulmões. “Descobrimos que ele é interrompido quando a pessoa fuma, mas não sabíamos quanto tempo levava para voltar ao normal. Os protocolos diziam que bastavam 48 horas antes de uma cirurgia, por exemplo, para evitar acúmulo de secreção. Mas nosso estudo mostrou que são necessários 15 dias para que o sistema volte a funcionar corretamente. Esse artigo foi publicado na revista Respiration, de alto impacto”, relata Ercy.

Foto: Cedida/AI

A partir dessas descobertas, o projeto passou a ganhar relevância nacional, sendo convidado para eventos e palestras. O grupo também percebeu a interligação entre os atendimentos clínicos e o tabagismo: muitos pacientes tratados no Ceafir por doenças pulmonares crônicas vinham do grupo de tabagismo, enquanto outros, tabagistas em tratamento, eram encaminhados à clínica ao serem diagnosticados com essas doenças.

As vivências levaram à adaptação da metodologia do Inca, em que quando a pessoa parava de fumar, os encontros ficavam mais espaçados, passando para a cada 15 dias. “Então, aí a gente fez um estudo e nesse estudo a gente começou a fazer o inverso”, descreve Ercy.

Com mais tempo de acompanhamento e atenção personalizada, o grupo alcançou resultados ainda melhores. “Com a nova abordagem, conseguimos 67% de sucesso, o dobro da taxa nacional, que era de 33%. De cada 10 pessoas, 6 a 7 deixaram de fumar definitivamente”, comemora.

O projeto, que antes se chamava ProCarte (Programa de Orientação e Conscientização Anti-tabagista), passou a se chamar Grupo de Atenção ao Tabagista. “Não somos contra o tabagista, somos contra o tabagismo. E o nome precisava refletir isso”, explica.

Hoje, a ação segue como projeto de extensão e pesquisa, com a doutoranda Karina Arielle da Silva Souza como responsável. A adaptação mais recente intensifica o acompanhamento antes e depois da parada do fumo, com foco em saúde integral incluindo avaliação de função pulmonar, composição corporal e qualidade do sono.

Apenas cigarro

Consolidado com a atenção voltada ao tabaco, o grupo não atende outros tipos de tabagismo como o narguilé, charutos e cigarro eletrônico. “A quantidade de substâncias que eles ingerem é diferente do que a gente conhece”, pontua Karina. Ainda sim, não há limite de idade para participar das reuniões. Em um dos últimos grupos era comum a participação de pessoas mais jovens, a partir de 18 anos.

Além do acompanhamento aos tabagistas, o grupo amplia sua atuação dentro da FCT oferecendo exames periódicos à comunidade universitária, incluindo alunos, funcionários e docentes. Entre os procedimentos disponíveis, estão a avaliação da função respiratória, da composição corporal, da funcionalidade física e de condições cardiorrespiratórias, como testes em esteira ergométrica.

A coordenadora celebra o fortalecimento da rede de atenção à saúde dentro da universidade. “Fiquei muito contente que, nesse período em que estive afastada, surgiu um programa sendo desenvolvido com a coordenação da professora Dra. Irma de Godoy, de Botucatu, que já orientou diversos colegas fisioterapeutas, como o Dr. Fábio Pitta, que hoje atua em Londrina e é uma referência na área, nacional e internacionalmente”, afirma Ercy.

A proposta para o futuro, segundo ela, é que cada unidade da universidade possa desenvolver um polo de avaliação dos tabagistas da própria comunidade, promovendo o acompanhamento contínuo de quem deseja parar de fumar. “Você pode passar cinco anos num curso fumando, e se tiver uma avaliação anual, pode entender como isso afeta sua saúde. Talvez a pessoa perceba que não mudou nada e continue fumando, mas talvez note uma piora e decida reduzir. Essas avaliações são uma forma de integrar acolhimento, autonomia e cuidado”, destaca.

Como procurar ajuda para parar de fumar?

Para participar, é necessário se inscrever na lista de espera do Grupo de Atenção ao Tabagista (GAT), que oferece atendimento gratuito por uma equipe interdisciplinar capacitada. O processo inclui triagem, acompanhamento contínuo e, quando necessário, uso de medicação. “Mesmo que a dependência seja leve, todos são inseridos”, garante Karina. 

A metodologia alia acolhimento, tratamento farmacológico e sessões de abordagem cognitivo-comportamental, que ajudam a transformar a relação do participante com o cigarro. Medicamentos como bupropiona e adesivos de nicotina são fornecidos conforme avaliação individual, em parceria com a farmácia pública. 

Os interessados devem entrar em contato pelos telefones do grupo e aguardar as orientações para iniciar o tratamento: (18) 3229-5821, (18) 3229-5545 e WhatsApp: (43) 99146-9078.

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