Da Redação
Em 30/03/2026 às 04:55
Evento reuniu estudantes e profissionais para discutir o impacto da Inteligência Artificial no mercado
(Foto: Yasmin Silva/AI)
A inteligência artificial vai ficar com o seu emprego? A pergunta guiou os debates da 14ª Jornada de Comunicação, realizada na Escola de Comunicação e Estratégias Digitais da Unoeste, em Presidente Prudente.
Com o tema “Humanos + IA: O futuro da comunicação já começou”, o evento reuniu mais de 220 participantes, entre alunos, professores e profissionais, em uma programação com palestras, oficinas práticas e, pela primeira vez, uma mesa-redonda.
A palestra de abertura destacou como a inteligência artificial já impacta o mercado atualmente. Bel Claro, gerente de marketing, e Johnny Santos, marketing manager, vivem as transformações do mercado e dominam a IA. Em suas falas compartilharam sua trajetória e fizeram um alerta aos estudantes.
Bel entende que a inovação tecnológica das ferramentas de automação e IA já tem impacto já no presente, semelhante ao que a Revolução Industrial causou no passado. "Na Revolução Industrial muita gente foi demitida. Agora, depende do tipo de profissional que você quer ser. Se você for o que só 'aperta parafuso', você vai ser substituído", afirmou Bel.
.
Johnny chamou os comunicadores dessa geração de mineradores de dados. “A IA não vai tirar seu emprego, quem vai tirar seu emprego é o profissional que sabe usar a IA enquanto você discutia se ela era ética e se valia a pena se especializar nisso. Precisamos dominar a IA. Ela é como o fogo: queima, mas nas mãos de quem conhece, ilumina”, conta.
No mercado de trabalho, onde ferramentas e plataformas mudam rapidamente, Bel e Johnny mostram que saber formular a pergunta certa, ou o melhor prompt, é um diferencial competitivo. “O analfabeto do século XXI não é aquele que não sabe ler, mas aquele que não consegue aprender”, relatou Bel.

Conhecimento na prática
No segundo dia de atividades, o foco foi a prática, com oficinas voltadas às habilidades exigidas no mercado atual. Luma Guimarães, publicitária, é especialista em transformar marketing em previsibilidade e trouxe na oficina de Estratégia digital e mídia Ads na prática, dicas de como encarar o tráfego pago como um aliado do conteúdo orgânico.
Segundo ela, os anúncios não substituem a produção de conteúdo, mas potencializam seu alcance, especialmente em um cenário em que a entrega orgânica nas redes é limitada, fazendo com que boas ideias consigam atingir um público muito maior.
Neste ano, houve a oficina de Gestão de Crise nas marcas nas redes sociais, conduzida pela publicitária Fernanda Simões.O aprendizado fomentou insights valiosos em um mercado que exige do profissional estar atento às tendências e às novas ferramentas, como a inteligência artificial, sem abrir mão de uma base teórica sólida.

Outro momento prático foi conduzido pelo publicitário João Victor Oliveira, com a Produção Audiovisual: Edição em tempos curtos. A oficina foi além do ensino técnico ao focar na construção de narrativas.
“Quem não domina o conceito da narrativa, de criar histórias, de criar contextos que realmente possam prender o espectador no vídeo fica para trás e acaba virando uma salada de frutas onde tem muita técnica, muita coisa aplicada mas a história é fraca”, alertou o diretor.
A coordenadora do evento, professora Giselle Tomé, explica que a Jornada começa a ser pensada assim que a edição anterior termina e recebe feedbacks dos alunos. “Nesta edição, uma das novidades foi sair dos corredores da Escola de Comunicação e vir para Biblioteca falar de livros com escritores, que sentem diretamente o impacto da IA e da produção autoral e ter nossos alunos de jornalismo atuando intensamente na cobertura do evento”, contou.
A estudante de publicidade, Júlia Mendes, escolheu participar da mesa com os jornalistas Gabriela Correia, Fabiana Verniz e Maycon Morano, buscando alternativas de como não limitar sua criatividade em um mercado repleto de IA.
Leitora e amante da escrita, Júlia diz que é através do seu texto que consegue expressar seus sentimentos. “O que mais pude tirar da conversa é que não existe máquina que tem sentimento. Isso tira um peso da gente que gosta de escrever e nos ajuda a se adaptar e se manter autoral e humano”, contou.
Como ghostwriter, Gabriela conta que é impossível produzir um livro somente com IA. “Existem pessoas na internet que ensinam a fazer isso e eu mesma já testei. O resultado é péssimo. A IA acelerou o trabalho, mas deve ser parte do processo apenas. Por isso que meus autores me procuram, porque não querem um resultado de IA, querem um resultado humano”, disse.
Professor de literatura, Maycon é coautor de capítulos sobre a história de Presidente Prudente e trabalha em seu primeiro livro. Ele também destacou a importância da identidade no trabalho do comunicador, onde o uso da inteligência artificial não pode substituir o repertório construído ao longo da formação. “Produzir conteúdo de forma mecânica não traz nada de relevante para aquilo que é a origem que a profissão já fez”, afirmou.
Segundo Maycon, desenvolver um bom trabalho exige bagagem cultural, construída com estudo e vivência, e não apenas com o uso de ferramentas tecnológicas.

A autora do livro “O Propósito”, Fabiana, também refletiu sobre os impactos da inteligência artificial na escrita e na comunicação. Para ela, embora a tecnologia avance e substitua funções, há um limite essencial ligado à sensibilidade humana. “Sobre a IA, eu acredito muito que ela vai sim substituir o ser humano, mas ela não vai substituir nunca a humanidade. E isso tem uma grande diferença”, afirmou.
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Portal Prudentino.