Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Impactos da IA: 14ª Jornada de Comunicação bate recorde de público

Da Redação

Em 30/03/2026 às 04:55

Evento reuniu estudantes e profissionais para discutir o impacto da Inteligência Artificial no mercado

(Foto: Yasmin Silva/AI)

A inteligência artificial vai ficar com o seu emprego? A pergunta guiou os debates da 14ª Jornada de Comunicação, realizada na Escola de Comunicação e Estratégias Digitais da Unoeste, em Presidente Prudente.

Com o tema “Humanos + IA: O futuro da comunicação já começou”, o evento reuniu mais de 220 participantes, entre alunos, professores e profissionais, em uma programação com palestras, oficinas práticas e, pela primeira vez, uma mesa-redonda.

A palestra de abertura destacou como a inteligência artificial já impacta o mercado atualmente. Bel Claro, gerente de marketing, e Johnny Santos, marketing manager, vivem as transformações do mercado e dominam a IA. Em suas falas compartilharam sua trajetória e fizeram um alerta aos estudantes. 

Bel entende que a inovação tecnológica das ferramentas de automação e IA já tem impacto já no presente, semelhante ao que a Revolução Industrial  causou no passado. "Na Revolução Industrial muita gente foi demitida. Agora, depende do tipo de profissional que você quer ser. Se você for o que só 'aperta parafuso', você vai ser substituído", afirmou Bel. 

Johnny chamou os comunicadores dessa geração de mineradores de dados. “A IA não vai tirar seu emprego, quem vai tirar seu emprego é o profissional que sabe usar a IA enquanto você discutia se ela era ética e se valia a pena se especializar nisso. Precisamos dominar a IA. Ela é como o fogo: queima, mas  nas mãos de quem conhece, ilumina”, conta. 

No mercado de trabalho, onde ferramentas e plataformas mudam rapidamente, Bel e Johnny mostram que saber formular a pergunta certa, ou o melhor prompt, é um diferencial competitivo. “O analfabeto do século XXI não é aquele que não sabe ler, mas aquele que não consegue aprender”, relatou Bel. 

Conhecimento na prática 

No segundo dia de atividades, o foco foi a prática, com oficinas voltadas às habilidades exigidas no mercado atual. Luma Guimarães, publicitária, é especialista em transformar marketing em previsibilidade e trouxe na oficina de Estratégia digital e mídia Ads na prática, dicas de como encarar o tráfego pago como um aliado do conteúdo orgânico. 

Segundo ela, os anúncios não substituem a produção de conteúdo, mas potencializam seu alcance, especialmente em um cenário em que a entrega orgânica nas redes é limitada, fazendo com que boas ideias consigam atingir um público muito maior.

Neste ano, houve a oficina de Gestão de Crise nas marcas nas redes sociais, conduzida pela publicitária Fernanda Simões.O aprendizado fomentou insights valiosos em um mercado que exige do profissional estar atento às tendências e às novas ferramentas, como a inteligência artificial, sem abrir mão de uma base teórica sólida. 


 
Outro momento prático foi conduzido pelo publicitário João Victor Oliveira, com a Produção Audiovisual: Edição em tempos curtos. A oficina foi além do ensino técnico ao focar na construção de narrativas. 

“Quem não domina o conceito da narrativa, de criar histórias,  de criar contextos que realmente possam prender o espectador no vídeo fica para trás e acaba virando uma salada de frutas onde tem muita técnica, muita coisa aplicada mas a história é fraca”, alertou o diretor. 

A coordenadora do evento, professora Giselle Tomé, explica que a Jornada começa a ser pensada assim que a edição anterior termina e recebe feedbacks dos alunos. “Nesta edição, uma das novidades foi sair dos corredores da Escola de Comunicação e vir para Biblioteca falar de livros com escritores, que sentem diretamente o impacto da IA e da produção autoral e ter nossos alunos de jornalismo atuando intensamente na cobertura do evento”, contou. 

A estudante de publicidade, Júlia Mendes, escolheu participar da mesa com os jornalistas Gabriela Correia, Fabiana Verniz e Maycon Morano, buscando alternativas de como não limitar sua criatividade em um mercado repleto de IA. 

Leitora e amante da escrita, Júlia diz que é através do seu texto que consegue expressar seus sentimentos. “O que mais pude tirar da conversa é que não existe máquina que tem sentimento. Isso tira um peso da gente que gosta de escrever e nos ajuda a se adaptar e se manter autoral e humano”, contou. 

Como ghostwriter, Gabriela conta que é impossível produzir um livro somente com IA. “Existem pessoas na internet que ensinam a fazer isso e eu mesma já testei. O resultado é péssimo. A IA acelerou o trabalho, mas deve ser parte do processo apenas. Por isso que meus autores me procuram, porque não querem um resultado de IA, querem um resultado humano”, disse. 

Professor de literatura, Maycon é coautor de capítulos sobre a história de Presidente Prudente e trabalha em seu primeiro livro. Ele também destacou a importância da identidade no trabalho do comunicador, onde o uso da inteligência artificial não pode substituir o repertório construído ao longo da formação. “Produzir conteúdo de forma mecânica não traz nada de relevante para aquilo que é a origem que a profissão já fez”, afirmou. 

Segundo Maycon, desenvolver um bom trabalho exige bagagem cultural, construída com estudo e vivência, e não apenas com o uso de ferramentas tecnológicas.

A autora do livro “O Propósito”, Fabiana, também refletiu sobre os impactos da inteligência artificial na escrita e na comunicação. Para ela, embora a tecnologia avance e substitua funções, há um limite essencial ligado à sensibilidade humana. “Sobre a IA, eu acredito muito que ela vai sim substituir o ser humano, mas ela não vai substituir nunca a humanidade. E isso tem uma grande diferença”, afirmou. 
 

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