Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Visionária e defensora da inclusão: morre Maria Darcy Mariz Morano

ROGÉRIO MATIVE

Em 27/09/2025 às 09:26

Por meio da associação, Darcy Morano ajudou centenas de surdos e mudos da cidade e região

(Foto: Arquivo Pessoal)

Idealista, visionária, batalhadora, guerreira e de fé. Dona de vários adjetivos, Maria Darcy Mariz Morano morreu neste sábado (27), aos 70 anos, em Presidente Prudente. O corpo é velado na Casa de Velórios Athia.

Idealizadora e fundadora da Associação dos Surdos e Surdas de Presidente Prudente e Região “Dorvalino Paixão” (ASSPP), Darcy Morano deixa um legado na defesa da inclusão e da justiça social na cidade.

Viúva e mãe de três filhos, passou sua vida cuidando de todos ao seu redor: netos, irmãos, mãe, amigos e de quem mais precisasse de alguma ajuda. Com o dom de costurar e inventar, fez do ofício o pilar de sustento de sua casa.

Com vários familiares surdos ao seu redor, traçou um objetivo diante da inércia das políticas públicas de proteção e acolhimento: criar uma associação inclusiva, educativa e conscientizadora. Desta forma, nasceu a ASSPP.

"Darcy foi muito mais do que conselheira: foi um pilar essencial na história da ASSPP, estando presente desde os primeiros passos da nossa jornada. Com seu coração generoso, sua luta constante e sua esperança em um mundo mais justo e acessível, inspirou e transformou vidas, deixando um legado de amor, coragem e dedicação", diz a associação, em nota.

Por meio da associação, ajudou centenas de surdos da cidade e região. Promoveu a capacitação de crianças, jovens e adultos, educadores e representantes de diversas instituições prudentinas no fomento da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Persistente, colocou a Libras em evidência nas celebrações da Catedral de São Sebastião, algo inédito até então. Inseriu o ensino da língua na grade de cursos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP).

Lutou e conquistou o título de 'utilidade pública' à associação. Por fim, foi agraciada com a concessão de prédio público para a implantação da sede da ASSPP. Mesmo adoecida, seguiu trabalhando incansavelmente pela reforma do espaço.

"Que sua memória continue viva em cada conquista da inclusão e da justiça, causas que ela tanto amou e pelas quais dedicou sua vida", cita a associação.

Por coincidência das páginas da vida, faleceu um dia após o “Dia Nacional dos Surdos” - data instituída em 2008, com o principal objetivo de propor a reflexão e o debate sobre os direitos e a luta pela inclusão das pessoas surdas na sociedade.

O velório ocorre na Sala 5, da Casa de Velório Athia. O sepultamento será realizado às 16h40, no Cemitério Municipal São João Batista.

O Portal está de luto.

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