| Presidente Prudente/SP

Filme relata últimos anos de vida do artista José Leonilson

Da Redação

Em 13/03/2018 às 08:19

Gravações eram mais um dos projetos de Leonilson, cujas obras são conhecidas por serem confessionais

(Foto: Divulgação)

A sessão do Cine Bosque da próxima terça-feira (17) leva à telona montada entre as árvores do Sesc Thermas de Presidente Prudente o filme "A Paixão de JL". O documentário, dirigido por Carlos Nader, traz o diário gravado em áudio pelo artista plástico cearense José Leonilson Bezerra Dias (1957-1993) em registros feitos em seus últimos anos de vida.

O longa-metragem faz parte do especial de março Mostra de Arte, que leva ao público filmes que abordam o universo das artes visuais, desde obras biográficas até captações dos primórdios da pintura.

Mais sobre A Paixão de JL

Em janeiro de 1990, aos 33 anos, o artista José Leonilson começava a gravar, em fitas cassete, um diário íntimo. Comentários sobre os acontecimentos que sacudiam o país, em plena era Collor, e o exterior, como a queda do Muro de Berlim, percorrem suas confissões, bem como impressões sobre os diversos filmes a que assistia.

Esses registros de um artista sensível e antenado à contemporaneidade, que a princípio não visavam mais do que testemunhar a sintonia entre sua vida e uma obra muito peculiar e intimista sofrem, no entanto, o impacto da descoberta de que Leonilson é portador de HIV. A incerteza e a urgência passam a impregnar seus relatos.

As gravações eram mais um dos projetos de Leonilson, cujas obras são conhecidas por serem confessionais. Em uma parte das gravações, por exemplo, o artista discorre sobre sua solidão, sua vontade de arrumar um namorado, suas inseguranças e seu medo de se revelar gay para a família.

José Leonilson

José Leonilson Bezerra Dias foi pintor, desenhista e escultor. Com uma carreira curta e intensa, é hoje reconhecido como um dos principais nomes da arte contemporânea no Brasil.

Nasceu no ano de 1957, em Fortaleza (CE). Em 1961, mudou-se com a família para São Paulo (SP). Estudou artes na Faap (Fundação Armando Alvares Penteado). Em 1981, fez sua primeira exposição no exterior, em Madrid, na Espanha. Na volta ao Brasil, em 1982, começou a delinear os principais traços de sua obra, que é marcadamente autobiográfica.

No verbete dedicado à Leonilson na Enciclopédia do Itaú Cultural, a crítica Lisette Lagnado afirma que “cada peça realizada pelo artista é construída como uma carta para um diário íntimo”. Em 1985, o artista já alcançava reconhecimento, tendo exposto nas Bienais de São Paulo e Paris.

Mais tarde, em 1991, Leonilson, descobriu ser soropositivo. Em seus últimos anos de vida, afetado pela doença, seu trabalho sofreu uma inflexão: ganhou uma carga espiritual, intensa e ao mesmo tempo irônica, graciosa. Ele morreu em 1993, aos 36 anos.

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