| Presidente Prudente/SP

Sesc Thermas promove maratona de filmes nacionais com tela ao ar livre

Da Redação

Em 11/06/2018 às 18:30

Sessões começam às 19h30, sempre com entrada gratuita no bosque do Sesc Thermas

(Foto: Divulgação)

O Cine Bosque, projeto de cinema do Sesc Thermas de Presidente Prudente, turbinou a programação para a semana do Dia dos Namorados com uma maratona de filmes exibidos em um cenário único, ao ar livre e entre as árvores.

A partir dessa terça-feira (12), os longas-metragens "O Bandido da Luz Vermelha", "Nise – O Coração da Loucura" (13) e "Branco, Prata e Outros Tons" convidam o público a contemplar o cinema nacional com grandes histórias. As sessões começam sempre às 19h30, com entrada gratuita.

Pelo especial Tropicália, é a vez de "O Bandido da Luz Vermelha", eleito o sexto melhor filme nacional de todos os tempos, segundo a Associação Brasileira de Críticos de Cinema, invadir a telona no Bosque.

O longa-metragem usa como pano de fundo a história real do criminoso que ganhou enorme repercussão no Brasil dos anos 1960, João Acácio Pereira da Costa, conhecido por sempre usar uma lanterna vermelha em seus crimes, além de usar técnicas extravagantes para roubar casas luxuosas de São Paulo. No entanto, seus roubos e crimes chamam tanto a atenção da mídia que o implacável delegado Cabeção (Luiz Linhares) começa a perseguir o famoso ladrão.

Primeiro filme do diretor Rogério Sganzerla, na época com 22 anos, o longa situa-se em 1968, quando o Brasil ingressa na segunda fase da ditadura e o Cinema Novo já não é mais visto pelos jovens cineastas como porta-voz da oposição estética ao regime.

Na multiplicidade de linguagens, gêneros e citações, o filme compõe a colagem que define sua inserção no momento tropicalista da época, combinando referências literárias, como Oswald de Andrade e Nelson Rodrigues, com o imaginário da crônica policial do rádio e variados lances da comédia musical.

Sob a “cor do diabo” (como o próprio João Acácio se referia ao vermelho), o bandido da luz vermelha real matou quatro pessoas e cometeu 77 assaltos. Apesar de nunca ter sido acusado oficialmente, existe a suspeita de que tenha estuprado mais de cem mulheres.

Nise – O Coração da Loucura

Na quarta (13), é a vez do público conhecer a história da mulher que mudou a a psiquiatria no Brasil. Dirigido por Roberto Berliner e estrelado por Glória Pires, Nise – O Coração da Loucura conta a história da psiquiatra alagoana Nise da Silveira (1905-1999), que inovou o tratamento oferecido para as pessoas com transtornos mentais e, em especial, para aquelas com esquizofrenia.

Formada em 1926 na Faculdade de Medicina da Bahia, onde era a única mulher em uma turma de 157 alunos, Nise propôs e aplicou formas alternativas de cuidados aos doentes mentais, baseadas na arte, no afeto e no convívio com animais.

A trama se inicia no ano de 1944, quando a médica retorna ao trabalho no Centro Psiquiátrico Nacional Dom Pedro II, no Rio de Janeiro. A instituição já foi considerada um dos maiores hospícios do Brasil, onde atualmente funciona, oportunamente, o Instituto Nise da Silveira. Dez anos antes, em 1934, ela fora acusada de envolvimento com o comunismo e ficou presa por 15 meses, vivendo clandestinamente, em seguida, por oito anos.

Na volta ao trabalho, ela se recusa a adotar o tratamento até então utilizado nos pacientes com transtornos mentais, baseados em métodos violentos, como o eletrochoque e a lobotomia, técnica criada pelo médico português Egas Moniz, que consistia fazer uma perfuração atrás do olho do paciente. Assim que a ponta do objeto, o “picador de gelo”, chegasse ao cérebro, o médico girava e retirava um pedaço do tecido cerebral. E o pior: geralmente o procedimento era feito sem anestesia.

Em razão da recusa, a médica foi designada a ficar responsável pelo setor de Terapia Ocupacional do Hospital, até então considerado um setor de menor importância. No entanto, a mudança não a impediu de organizar o espaço e começar a atender seus “clientes”. Ali, eles encontravam tinta, papel, lápis, telas, respeito, ternura e liberdade para se expressarem.

A exibição integra a programação do Cinepsiquiatria, organizado pela Liga de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista). Após a sessão, haverá bate-papo com o médico psiquiatra Giovanni Lopes de Farias.

Branco, Prata e Outros Tons

A maratona de filmes do Cine Bosque se encerra na quinta-feira (14), com a exibição do documentário Branco, Prata e Outros Tons, idealizado por Elca Rubinstein e dirigido por Humberto Bassanelli.

No filme, mulheres que estão descobrindo seus cabelos brancos contam por que deixaram de tingir os cabelos e passaram a se sentir mais charmosas e seguras, propondo, com isso, uma mudança no paradigma social.

Trata-se de mulheres em diferentes faixas etárias, etnias e grupos socioculturais que, nos dias atuais, ousam para de pintar seus cabelos e estão dispostas a compartilhar sua proposta de uma estética alternativa – nem moralista, nem julgadora, nem impositiva.

Registrar o que as levou a encarar o novo visual e entender quais foram as críticas, restrições e constrangimentos que tiveram que enfrentar, pode ajudar outras mulheres que não tiveram a ousadia de quebrar os padrões socialmente adotados de esconder os fios brancos que teimam em aparecer.

Enquanto muita gente trata a velhice como um tabu a ser evitado, Elca Rubinstein não perde a oportunidade de trazer o assunto à tona. Ela é Ph.D. em economia, formada pela USP, onde foi professora até ir para o Banco Mundial, em Washington, em que trabalhou de 1986 a 2003.

Após a exibição do filme, Elca participa de um bate-papo com o público. A sessão integra a Campanha de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa, marcada mundialmente no dia 15 de junho.
 

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