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Vírus da febre amarela é detectado em urina e sêmen um mês após infecção

Agência Fapesp

Em 08/02/2018 às 09:23

A presença do vírus da febre amarela em amostras de urina e de sêmen de um paciente que sobreviveu à doença foi detectada quase um mês após ele ter sido infectado. A descoberta foi feita por pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), em colaboração com colegas dos institutos Butantan, de Infectologia Emílio Ribas e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

A constatação, feita no âmbito de projetos coordenados por Paolo Zanotto, professor do ICB-USP, com apoio da FAPESP, foi descrita em um artigo publicado na revista Emerging Infectious Diseases, do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), agência de proteção à saúde do governo dos Estados Unidos.

“Essa detecção é bastante preocupante porque sugere, primeiramente, que o período de transmissibilidade [contágio] do vírus da febre amarela pode ser mais extenso do que o esperado em uma infecção aguda [com duração de, no máximo, 10 dias]”, disse Zanotto à Agência FAPESP.

Segundo o conceito atual, o período de transmissibilidade da febre amarela inicia-se entre 24 e 48 horas antes do aparecimento dos primeiros sintomas e vai até três a sete dias após o início da manifestação da doença. Na maioria dos casos, os sintomas desaparecem após três ou quatro dias.

Um baixo percentual de pessoas infectadas entra em uma segunda fase mais tóxica no espaço de 24 horas após a recuperação dos sintomas iniciais, e metade delas morre em um período de sete a 10 dias.

Os pesquisadores acompanharam um paciente de 65 anos natural de São Paulo e que não entrou na fase tóxica da doença. Detectaram a presença de RNA (material genético) do vírus em quantidade significativa em amostras de urina e do sêmen 15 e 25 dias após o surgimento dos sintomas iniciais de febre amarela.

O genoma do vírus isolado da amostra de urina do paciente foi sequenciado. A análise do sequenciamento apontou que o vírus se agrupou a genótipos isolados na América do Sul, incluindo dois isolados em 2017 no Espírito Santo. “Em um trabalho feito em colaboração com o grupo do professor Edison Durigon [do ICB-USP], já tínhamos identificado a presença dos vírus da dengue e de Zika na urina de pacientes infectados e, no caso do Zika, também no sêmen. Por isso, decidiu-se verificar se isso também ocorria com o vírus da febre amarela”, disse Zanotto.

“Essa descoberta, agora, sugere que o vírus da febre amarela também é um arbovírus [vírus transmitidos por vetores artrópodes hematófagos, que têm como hospedeiros animais vertebrados, como macacos e o homem] com capacidade de ser excretado pelo sistema urinário”, disse.

Os pesquisadores ainda não sabem quais podem ser as implicações da presença do vírus da febre amarela em amostras de urina e sêmen, além de com que frequência e por quanto tempo ele persiste nesses materiais biológicos, uma vez que analisaram um único paciente.

No caso do Zika, estudos anteriores, conduzidos em colaboração pelos grupos de Durigon e de Zanotto, mostraram que o vírus permanece no sêmen de pacientes durante meses e, depois, começa a decair lentamente. Além disso, também se confirmou que o vírus pode ser transmitido sexualmente.

“Ainda não temos uma boa amostragem para determinar por quanto tempo o vírus da febre amarela pode ser detectado na urina e no sêmen. Mas nossa estimativa, feita com base no acompanhamento do paciente que avaliamos durante um período de 21 dias após a observação dos sintomas iniciais da doença, é de que o vírus pode ser detectado nesses materiais biológicos pelo menos quase um mês após a infecção”, disse Zanotto.

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