Paulo Fernandes
Em 15/12/2009 às 13:08
O Ministério Público Estadual (MPE), por meio do promotor de Justiça do Meio Ambiente Nelson Roberto Bugalho, determinou nessa segunda-feira (14) que os bancos da Praça Monsenhor Sarrion, onde está situada a Catedral de São Sebastião em Presidente Prudente, sejam recolocados. Segundo o pároco da igreja e responsável pela retirada dos bancos, Monsenhor José Antonio de Lima, o acordo será cumprido no prazo estabelecido. Entretanto, ele questiona o argumento de descaracterização da praça.
A medida foi tomada com base em dois pontos. O primeiro é em cumprimento ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) realizado em 2003, com o então bispo Dom José Maria Libório, no qual a Mitra Diocesana de Prudente se comprometeu a conservar a praça como patrimônio histórico cultural sem descaracterizá-la. O segundo é o resultado de uma pesquisa feita por alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), mostrando que 80% das 258 pessoas entrevistadas entre 29 de setembro e 19 de outubro deste ano querem os bancos novamente no local.
Segundo o responsável pela igreja, Monsenhor José Antonio de Lima, o acordo foi realizado em consenso entre a Mitra e o MPE, e estabelece o prazo de até janeiro de 2010 para a recolocação total dos bancos. Para alguns assentos que estão no entorno da igreja, foi apresentada uma proposta de reorganização, distribuindo para outros lugares da praça.
“Foi um acordo tranquilo. Nós vamos cumprir o estabelecido e em 15 dias entregar ao MPE um estudo para que apenas os bancos que estão envolta da igreja sejam fixados em outros lugares dentro da praça. Todos os bancos serão recolocados”, afirma.
Apenas o argumento de descaracterização apresentado pelo Mistério Público foi questionado pelo monsenhor. De acordo com ele, se a retirada dos bancos infringe na preservação da praça como patrimônio histórico-cultural, a pintura dos pontos de ônibus da cor do atual governo também atinge essa medida.
“Eu questionei o promotor Bugalho sobre este fator. Se os bancos pertencem à praça, os pontos de ônibus também”, aponta.
Para o promotor Bugalho, o local faz parte da história de Prudente e medidas para que haja preservação da praça sempre serão tomadas. “A pesquisa coordenada pelo Marcos Norberto, assistente técnico da promotoria, mostra que 76% da população entrevistada tem a Praça como ponto de referência histórica de Prudente. Isso prova o TAC firmado pela preservação. Em relação aos pontos de ônibus, vamos analisar a situação”, ressalta.
Outro Problema
Um problema apresentado pela pesquisa é a falta de segurança da população no local. Cerca de 50% dos entrevistados alegam não se sentir seguro ao estar nas delimitações da Praça. Conforme o Promotor Bugalho, esta realidade não será resolvida apenas com a retirada dos bancos. “É um problema de polícia, tanto na praça da Catedral, quanto na Nove de Julho. Com banco ou sem banco a situação é a mesma. O que precisa é ser analisada pelos órgãos competentes”, cita.
Entenda o caso
A retirada dos bancos na Praça Monsenhor Sarrion foi realizada em junho deste ano pelo religioso Monsenhor José Antonio de Lima, alegando como principal motivo o tráfico de drogas e prostituição no local. Cerca de 10 bancos foram retirados. De acordo com o religiosos, a medida foi tomada para chamar a atenção de um problema.
“Quem observa a situação de fora, não sente o que estamos falando. Para quem convive e trabalha ali, sabe que pessoas ficam o dia todo nos bancos usando e traficando drogas. Nós criamos um fato para chamar a atenção do problema”, comenta.