Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

"O Boxe é para as Mulheres", por Mirella Morano

*Mirella Morano

Em 26/03/2026 às 11:37

No mês celebrado às mulheres vemos muitas lutadoras cada vez mais no esporte como profissão , diz Mirella

(Foto: Mirella Morano/Cedida)

Escuta-se dizer que o esporte salva vidas. Estou na fila para dizer: o boxe pode ter salvado a minha vida! Anos atrás eu teria procurado o boxe como uma luta para aprender a me defender, mas quando procurei foi para descontar as frustações... Também serve.

Para a Carla, que nunca gostou de academia por ser pacato e repetitivo, o boxe surgiu como uma alternativa para retomada da atividade física. Justamente com a irmã, decidiram aceitar o desafio e amaram!

Ela é formada em Direito e leciona no ensino superior para os cursos de Direito, Psicologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Também é assistente ministerial no Ministério Público. E, além do trabalho, hoje ela faz boxe e intercala com a musculação. “Aos 45 anos, a atividade passa a ser essencial para a qualidade de vida. O boxe extrapolou a necessidade e se transformou em paixão”.

Ela ainda diz: sem dúvida o boxe pode ser um trabalho para mulheres! A mulher pode assumir a profissão que desejar. Nosso centro de treinamento conta com excelentes competidoras, e alunas ingressam frequentemente interessadas na carreira profissional. O boxe é excelente para trabalhar força, agilidade, raciocínio. Além disso, as aulas são dinâmicas, permitindo extrapolar o cansaço, a raiva e as frustrações diárias. Em dias de baixa energia o saco de pancadas é um ótimo companheiro.

O centro de treinamento à que ela se refere, é o Ferri CT Escola de Boxe. Uma academia onde você pode treinar apenas como uma atividade física do seu dia a dia, ou ainda ingressar na carreira profissional se tornando um atleta.

A Carol, tem uma empresa de papelaria criativa para festas infantis, e trabalha no sítio com o pai e o irmão — na papelaria ela precisa de criatividade e delicadeza, no sítio força e agilidade.

Há pouco mais de dois anos ela queria incentivar a irmã a praticar atividade física. O boxe surgiu como uma opção apenas passando na frente do Ferri CT. “Eu nunca imaginei que pudesse gostar de boxe. Já na aula experimental me apaixonei completamente, e decidi que continuaria mesmo que minha irmã não quisesse. Nós duas gostamos tanto dos treinos que trouxemos nossa mãe para treinar também! É um hobby que gosto de levar a sério, detesto perder um treino! Não uso apenas como atividade física, gosto de aprender e praticar como se fosse uma atleta de verdade; embora esteja muito longe disso...”


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No mês celebrado às mulheres vemos muitas lutadoras cada vez mais no esporte como profissão — Carol cita Bia Ferreira como uma das atletas que ela admira e acompanha, e que é atleta Olímpica e Campeã Mundial. “É uma forma de esvaziar a mente de qualquer problema, tristeza, ansiedade, porque enquanto estamos treinando é preciso concentrar toda a atenção naquele momento. É, com certeza, uma forma de recarregar as energias. Sempre que posso, digo: Faça boxe!

Nossa personal trainer é a Camila, uma pessoa tímida, mas completamente focada no que interessa: suas alunas. Ela é Bacharel em Educação Física, e depois de muitas idas e vindas, acabou chegando na turma feminina de boxe.

Ela diz que nunca gostou de lutas, mas na graduação os estágios exigiam uma parte de artes marciais... “Eu trabalhava em mercado na época e não tinha muito tempo, então conversava com os professores responsáveis e adiantava durante as férias da faculdade. Eu conhecia o dono de academia de artes marciais e mestre, me matriculei no Sandá (boxe chinês) e comecei como aluna dele, já que não tinha como fazer estágio ali, resolvi vivenciar na prática. Confesso não ter gostado muito. Anos se passaram, me formei e fui convidada a trabalhar com o mestre em um projeto dele com crianças, aceitei, pois a princípio minha vontade era trabalhar com crianças e idosos. Desculpa estender, é porque eu precisava mostrar como de fato entrei no boxe e estou há 10 anos em algo que de início não gostava e nunca havia me interessado”.

Camila conheceu o professor Diego, que estava iniciando as aulas de boxe, e dono pediu que o ajudassem, pois era algo novo... “E acabei me apaixonando. Não pelo boxe, não pelo professor, mas sim pela didática do Diego! Ele ensinava, cobrava, toda aula fazia roda e conversava, explicava o que havíamos trabalhado e o porquê. Quando eu faltava, ele mandava mensagem perguntando o porquê eu havia faltado, e fui vendo que o boxe não era aquela hierarquia das outras artes marciais, então fazia as aulas com gosto!”

Depois de alguns pormenores, desacreditada da sua área de formação, Camila precisou voltar a trabalhar no mercado... Mas não desistiu do boxe! Estava treinando sempre que possível, nos intervalos do almoço, ou aos domingos quando podia. Até que o Diego, dono da Ferri CT, a convidou para assumir uma turma dele em uma academia no bairro Ana Jacinta. No início ele quem montava as aulas, mas depois passou a ensiná-la, e assim foi durante 7 meses, já no fim de 2017.

“Cada treino era uma superação nova, e tudo isso porque meu professor acreditava em mim e me cobrava quando necessário... Me fez ver o quanto eu era competitiva, o quanto detestava me sentir inferior e o quanto eu me cobrava. Na maioria das vezes eu era a única mulher na aula, no meio de um monte de homem. Obviamente tem um nível diferente de força, mas eu não aceitava ser inferior, eu treinava para ser igual ou menos pior do que eles”. 

Em 2021, ela foi demitida e o Diego a convidou a abrir a turma de boxe feminino, pois havia mulheres interessadas em fazer boxe, mas não queriam fazer em turma mista, por medo de apanhar, por receio de ser com homens, por vergonha ou o marido que não deixava... Ela iniciou em outubro com a turma feminina, e segue até hoje.

“Meu objetivo é ensinar mulheres que queiram aprender e tem medo, receio, vergonha e agora, mais do que nunca, ser mulher é correr risco. Quando uma mulher faz arte marcial, reduz a chance de violência sobre si/nós”.

Em tempos em que a misoginia se predomina, não me admiro se você que está lendo este texto acreditar [ainda] que existem esportes que são apenas para homens. Na minha mais humilde opinião, digo que não existe um esporte que depende do gênero, muito menos um que depende do corpo e foco!

No mês das mulheres, o esporte pode ser lembrado como fonte de apoio ou válvula de escape. E ainda neste mês gostaria de celebrar a Camila, que é a personal na academia onde treinamos, auxiliando exclusivamente à mulheres! 

Sendo professora, às vezes psicóloga, fotógrafa... Ela tem sido apoio a quem precisa. Qualquer pessoa dentro do grupo, no meio da aula, pode perceber o olhar atento dela, aos treinos, mas principalmente às alunas, em como elas estão naquele dia, se preocupando e tentando fazer o máximo possível para não deixar ninguém desistir. Teve uma frase dita por ela, para mim, no início, que foi uma das que mais me marcaram, porque quando aconteceu eu entendi o real significado. 

“Bate. Até a dor que tá aí dentro sair, bate até chorar”, eu ri, por que como você vai sentir vontade de chorar enquanto está batendo?! Pois é... mas eu chorei. E entendi. Obrigada. (Colaboração de Mirella Morano)

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