Da Redação
Em 17/07/2026 às 22:06
Quando realizada com indicação médica, a inalação pode contribuir para o alívio dos sintomas
(Foto: Cedida)
Durante o inverno, é comum o aumento dos casos de doenças respiratórias, principalmente entre as crianças. Sintomas como coriza, tosse e chiado no peito tornam-se mais frequentes nesta época do ano, gerando preocupação entre pais e responsáveis.
Dados do Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostram que o Brasil já registrou mais de 82 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026, reforçando a importância dos cuidados com a saúde respiratória durante os meses de temperaturas mais baixas.
Pocedimento amplamente utilizado no tratamento de algumas doenças respiratórias, quando realizada com indicação médica, a inalação pode contribuir para o alívio dos sintomas.
A inalação é um procedimento que transforma um medicamento líquido ou uma solução em uma névoa fina, administrada por meio de uma máscara ou bocal. Assim, o medicamento chega diretamente às vias respiratórias, favorecendo sua ação no local onde o tratamento é necessário.
Para o médico pediatra do Hospital Infantil da Unimed Prudente, Dr. Murilo Moretti, a inalação deve ser utilizada apenas quando houver indicação médica. "Ela pode ser indicada em algumas crises de asma ou episódios de chiado no peito, além de situações específicas em que seja necessário administrar medicamentos diretamente pelas vias respiratórias, como para ajudar a fluidificar secreções", explica.

Além da indicação médica, a forma como a nebulização é realizada também interfere na eficácia do tratamento. Na avaliação do Dr. Murilo Moretti, alguns erros são frequentes e podem comprometer os resultados. "Os mais comuns são utilizar medicamentos sem prescrição médica, alterar a dose ou a frequência do tratamento, substituir o soro fisiológico por água da torneira e misturar medicamentos por conta própria", alerta.
O pediatra também orienta que a máscara permaneça bem ajustada ao rosto, cobrindo completamente o nariz e a boca para garantir que o medicamento alcance as vias respiratórias. Após o procedimento, o copinho e a máscara devem ser higienizados e secos completamente, conforme as orientações do fabricante. O nebulizador também é de uso individual e não deve ser compartilhado.
Como fazer a inalação corretamente?
Para garantir a eficácia do tratamento, é importante seguir corretamente as orientações médicas e utilizar o nebulizador da forma adequada. De acordo com o especialista, a técnica correta favorece a chegada do medicamento às vias respiratórias e contribui para melhores resultados.
Passo a passo:
Lave bem as mãos antes de iniciar o procedimento.
Monte o nebulizador conforme as orientações do fabricante.
Coloque no copinho apenas o medicamento e a quantidade de soro fisiológico prescritos pelo médico.
Mantenha a criança sentada ou com o tronco elevado, acordada e tranquila.
Posicione a máscara de forma que cubra completamente o nariz e a boca, sem deixar espaços. Caso utilize o bocal, oriente a criança a fazer inspirações lentas e profundas.
Realize a inalação até que a névoa diminua ou o líquido do copinho termine, conforme a orientação do equipamento.
Ao finalizar, lave o rosto da criança e, se tiver sido utilizado medicamento com corticoide, oriente-a a enxaguar a boca.
Desmonte o nebulizador, higienize todas as peças e deixe-as secar naturalmente em local limpo.
Guarde o aparelho somente após a secagem completa, em local limpo e protegido até o próximo uso.
Quando procurar atendimento médico?
Embora a inalação seja uma aliada no tratamento de algumas doenças respiratórias, ela nem sempre é suficiente. Por isso, pais e responsáveis devem ficar atentos aos sinais de alerta e procurar atendimento médico diante de qualquer piora do quadro.
Murilo Moretti orienta que a busca por assistência médica não deve ser adiada quando a criança apresentar respiração rápida ou com esforço, afundamento das costelas ou da região abaixo do pescoço ao respirar, dificuldade para falar, mamar, comer ou beber, sonolência excessiva, confusão, palidez intensa, lábios ou extremidades arroxeados, ausência de melhora após o uso da medicação prescrita ou necessidade de repetir a medicação em intervalos menores do que os orientados pelo médico.
"O acompanhamento médico é indispensável para avaliar a gravidade do quadro e indicar o tratamento mais adequado. Diante de qualquer sinal de piora, a orientação é não adiar a busca por atendimento", finaliza o pediatra.
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