Da Redação
Em 10/11/2010 às 16:51
O 1º Fórum Territorial do Pontal do Paranapanema em Defesa da Mulher, realizado nesta quarta-feira (10) em Presidente Prudente, debateu a necessidade de serviços voltados para mulheres vítimas de violência no campo.
De acordo com a organizadora do evento e responsável pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Simone Duran Toledo Martinez, a área rural do Pontal “isola estas mulheres geograficamente”. “Isso agrava ainda mais a questão da violência por elas não terem acesso aos serviços que poderiam protegê-las”, pontua.
Desta forma, foram discutidos no fórum quais os serviços que existem em defesa da mulher na região, a situação das mulheres que vivem nesse território, e as necessidades de serviços para serem implantados nele.
Sobre o cenário em Prudente, Simone expõe que optam pelo acompanhamento mulheres que se despertam espontaneamente para a importância de se livrar do problema ou porque são encaminhadas por órgãos competentes da rede de atenção às mulheres. “São 400 mulheres vítimas de agressão somente neste ano. Quer dizer: é um fenômeno muito grave que requer de fato intervenção do Estado na proteção dessas mulheres”, diz.
A advogada do “Territórios da Cidadania”, diz que dentro do colégio territorial, que é uma das instâncias de gestão do programa, já existem diversas políticas públicas voltada para as mulheres. “A partir deste evento, a gente tem a perspectiva de fortalecer essa discussão dentro do colegiado, de ampliar essa discussão e de valorizar essa questão tanto de gênero quanto da violência contra a mulher. Nós sabemos que existe uma demanda eminente no nosso território. Então a gente precisa realmente discutir a questão e buscar alternativas de possibilitar uma infraestrutura, uma rede, algo que possa dar apoio a essas mulheres”, acredita.
Vítima no campo
A assentada Janete Ferreira de Moraes, que foi vítima de violência por quase 17 anos, fala sobre a importância da denúncia. “O sofrimento da mulher é muito grande, principalmente quando ela é agredida. Nós, vítimas, fazemos de tudo para não denunciar, mas chega a certo ponto que não tem condições mais. E chegou meu ponto. Eu sofri tanto tortura mental quanto sentimental”, lembra.
Depois da separação, ela afirma que é “uma pessoa muito feliz, apesar de não ter sido fácil”. “Mas eu acho muito mais difícil viver o que eu vivia. Para as mulheres que sofrem violência, o recado é o seguinte: não sofram o que eu sofri. Denuncie. A mulher não merece sofrer”, incentiva Janete.
Agressões
Conforme dados divulgados no fórum, a cada duas horas no Brasil uma mulher morre vítima de violência física sofrida pelo companheiro, ex-companheiro, marido, ex-marido, namorado ou ex-namorado. Em Presidente Prudente, o Serviço de Atendimento e Proteção Especial à mulher revela que a cada mês, em média, 20 mulheres vítimas de violência doméstica são acompanhadas.
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