Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Igreja também é alvo de reclamações por barulho

Paulo Fernandes

Em 20/11/2009 às 12:46

Não são apenas os barzinhos e os sons automotivos que têm gerado queixas por perturbação do sossego público em Presidente Prudente. Moradores da Vila Marcondes reclamam do som excessivo durante os cultos da Igreja Comunhão Cristã Zoe. O professor Édson Trevisan, morador próximo ao estabelecimento religioso, afirma que após tentar acordo com os responsáveis está pedindo a interdição do prédio até que a devida acústica seja realizada. Já o pastor responsável defende a igreja e diz que não há perturbação, mas “perseguição”.

“Essa situação vem desde março deste ano. No início eu falei com o pastor Josué, responsável pela igreja, e ele me atendeu muito bem, compreendeu e diminui o som. Dias depois voltou a ficar insuportável. Quando fui novamente falar com o pastor ele me informou que se eu quisesse que o som ficasse baixo eu teria que procurar a Justiça. E foi o que fiz”, explica Trevisan.

Conforme o vizinho, um processo de pequenas causas foi aberto e, por aconselhamento da Justiça, abriu uma outra ação por danos morais, pois a situação estaria afetando até mesmo sua saúde. “Eu não consigo ficar na minha própria casa quando há cultos ou atividades na igreja, o som é muito alto. Aos domingos, não consigo descansar. Logo pela manhã já começa o barulho. Hoje estou fazendo um tratamento contra depressão”, afirma.

“Estou pedindo a interdição da igreja até que a acústica seja regularizada. Não sou contra a religião, só quero que meus diretos sejam respeitados”, completa Trevisan.

Ainda segundo o morador da Vila Marcondes, ele já chegou a invadir um culto e pedir ao pastor que falasse mais baixo, “pois o volume da sua voz estava insuportável”. “Sei que cometi um crime invadindo a igreja, mas não consegui me segurar, eu já havia pedido várias vezes e sempre o volume ficava alto novamente”, cita.

Vinte e dois moradores da região realizaram um abaixo assinado para pedir a diminuição do barulho na igreja. Outras duas vizinhas do prédio, Marina Camargo e Alice Marchaesi Pascoal, também reclamam do barulho. “O volume incomoda muito. Na maioria das vezes até saio de casa. Por esses dias comentei com minha sobrinha que Deus não é surdo para pregarem nessa altura” diz Marina.

“No início era menos, mas agora está insuportável. Mal dá para ouvir a televisão”, ressalta Alice.

O Portal entrou em contato com o pastor Josué de Souza Monteiro, responsável pela Igreja Comunhão Cristã Zoe. Segundo ele, o volume do som já foi vistoriado por dois técnicos da Prefeitura e está dentro da lei e a acústica do prédio só poderá ser estruturada quando o Corpo de Bombeiros entregar o laudo de funcionamento.

“Nós já reduzimos o som e a Prefeitura analisou. Estamos dentro do que é permitido. Em relação à acústica, não temos ainda o laudo técnico dos bombeiros, mas estamos dispostos a nos organizar na medida do possível dentro também dos nossos direitos”, afirma.

Quanto à reclamação de vizinhos, o pastor garante que nunca recebeu queixas, a não ser de Edson Trevisan, a quem atribui intriga particular. “Ele está de marcação com a igreja”, afirma.

Conforme o secretário de Desenvolvimento Econômico de Presidente Prudente (Sedepp), Carlos Dias, a Pasta enviou dois fiscais à igreja nessa sexta-feira (20). “Pedimos para que eles diminuam o som, porque o culto é para quem está dentro, não fora da igreja. Creio que vá haver uma cooperação por parte do pastor”, afirma.

Para o presidente do Conselho de Segurança Comunitária da Zona Sul (Conseg-Sul), Rodrigo Romão, caso o aviso da Prefeitura não resolva, os moradores devem procurar Justiça. “A igreja tem alvará, então a prefeitura poderia tomar atitude. Tudo que funciona com alvará cabe a ela ter o poder de polícia para fechar ou deixar funcionando. No caso de não ter solução com a Prefeitura, os vizinhos devem procurar a Promotoria de Justiça e fazer a denúncia ou então contratar um advogado e entrar com ação civil na Justiça. Com certeza vai resolver”, diz ele.

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