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MPF pede investigação em obras da ponte de Paulicéia

Da Redação

Em 09/12/2009 às 11:52

A obra para construção da ponte de Paulicéia, que interliga os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul e que foi inaugurada no último dia 25 de setembro, é uma das 14 executadas pela Camargo Corrêa cujo Ministério Público Federal (MPF) solicitou a abertura de investigações, através da operação Castelo de Areia, com suspeita de pagamentos a parlamentares supostamente beneficiados pela construtora.

O MPF encaminhou ao todo 18 representações, a diferentes autoridades, pedindo a abertura de investigações sobre 14 obras da Camargo Corrêa em diferentes localidades do País e sobre o conteúdo da planilha que indica pagamentos a parlamentares.

A suspeita do MPF é que a obra da ponte de Paulicéia tenha o suposto envolvimento e beneficiamento de um deputado federal do PSDB e um membro do PMDB.

As obras sob suspeita são mencionadas nas planilhas e outros documentos apreendidos pela Polícia Federal em 5 de maio deste ano, na construtora e com os diretores da empresa. Ao lado das menções às obras são citadas autoridades dos poderes Executivo e Legislativo. Os documentos levantam suspeitas da prática de corrupção ativa e passiva, crimes financeiros, além de atos de improbidade administrativa e eventuais ilícitos eleitorais. Menções de pagamentos a autoridades com prerrogativa de foro ocorrem na maioria de obras.

Foram encaminhados à Procuradoria Geral da República, em Brasília, seis representações sobre obras em que são apontados pagamentos para senadores, deputados federais e membro do Tribunal de Contas da União, entre elas a da ponte e Paulicéia, além de uma cópia da planilha apreendida na busca e apreensão, que contém nomes de obras da Camargo Corrêa e indicações dos supostos beneficiados, dentre os quais parlamentares, por pagamentos em dólares e reais feitos pela construtora entre 1995 e 1998.

Também foram encaminhados pedidos de investigações à Procuradoria Geral de Justiça de São Paulo, ao Conselho Superior do Ministério Público (CNMP), à Procuradoria Geral de Justiça do Rio de Janeiro, ao Ministério Público Federal no Distrito Federal, ao Ministério Público Eleitoral em São Paulo e ao Ministério Público Estadual de São Paulo e do Rio de Janeiro.

A ponte

Com 1,7 km de extensão, a ponte sobre o Rio Paraná liga as cidades de Paulicéia e Brasilândia (MS). Os investimentos da obra ultrapassam R$ 160 milhões, sendo 80% do governo federal e 20% do governo estadual. O projeto é de 1998 e foi apresentado como protocolo de intenções da Cesp em compensação ao impacto ambiental causado pela hidrelétrica Sérgio Motta em Primavera.

As obras tiveram início em 2001, foram paralisadas em 2005 e retomadas em 2007, com a liberação pelo governador José Serra de R$ 31 milhões para sua conclusão. A ponte possui um vão de navegação de 200 metros de extensão.

 

Veja as 14 obras sob suspeita do MPF:

1- Eclusa da Hidrelétrica do Tucuruí (PA) – (com suposto envolvimento de membro do Tribunal de Contas da União, Diretor Geral do DNIT, Diretor Financeiro e Diretor de Engenharia e Planejamento da Eletronorte);


2- Aeroporto de Vitória  -  (com suposto envolvimento de senador do PSB);

3- Metrô de Fortaleza - (com suposto envolvimento de deputado federal e senador do PCdoB);

4- Metrô de São Paulo, Linha 4-Amarela – (com o suposto envolvimento de deputado federal do PSDB, membros do Tribunal de Contas do Estado e uma candidata do PT a deputado estadual no Paraná);

5- Rodoanel – São Paulo (com suposto envolvimento de deputado federal do PR e Diretor de Engenharia do Dersa);

6- Cesp – Ponte Paulicéia (com suposto envolvimento de deputado federal do PSDB e membro do PMDB);

7 - Paraisópolis (com suposto envolvimento do Secretário de Habitação da Prefeitura de São Paulo);

8 - Prefeitura de Jundiaí (com suposto envolvimento do Assessor Especial da Prefeitura de Jundiaí);

9 - Senasa – Campinas (com suposto envolvimento do Secretário de Planejamento e do Diretor Técnico do Senasa);

10 – Liberação pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico Cultural Ambiental da Cidade de São Paulo (Compresp) de uma obra de interesse da Camargo Correa (com suposto envolvimento do Secretário de Habitação de São Paulo e de membros e presidente da Câmara de Vereadores de São Paulo);

11 - Obra de Jurubatuba (com suposto envolvimento do Secretário de Infra-Estrutura Urbana e Obras da Prefeitura de São Paulo e do Secretário Geral do DEM);

12 – Metrô de São Paulo – Linha 4 - Amarela e Rodoanel – (com suposto envolvimento de auditor e conselheiro do Tribunal de Contas de São Paulo, membro(s) do Ministério Público do Estado e da Polícia Civil do Estado de São Paulo);

13 – Obra de Estreitinho – (com suposto envolvimento dos Diretores de Engenharia e Diretor de Construção de Furnas);

14 - Metrô do Rio de Janeiro – (com suposto envolvimento de secretário de Estado do Rio de Janeiro);

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