Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Proprietários ‘culpam’ som automotivo por barulho em Prudente

Paulo Fernandes e Thiago Ferri

Em 19/11/2009 às 18:33

Ao discutir nesta quinta-feira (19) o problema de perturbação de sossego público, os proprietários de bares e restaurantes de Presidente Prudente reclamaram ao Ministério Público Estadual (MPE) que muitas vezes são acusados pelo barulho causado por carros com som em volume elevado que estacionam próximo aos estabelecimentos.

Segundo o proprietário do O Boêmio, João Bertoluzzi, os condutores não respeitam os pedidos para abaixar o som e só diminuem quando a polícia aparece no local. “Nós vamos até os condutores e pedimos para abaixarem o som, mas eles não fazem. Então chamamos a polícia, quando eles veem a viatura chegando, aí sim diminuem, mas logo aumentam de novo”, comenta.

“Na maioria das vezes nem são clientes, trazem sua cerveja e bebidas, e tenho que ser responsável por eles?” questionou Bertoluzzi.

Para Fábio Sato, dono do Sr. Boteco, o som de automóveis é um dos principais problemas, pois a vizinhança acaba atribuindo o barulho ao estabelecimento. “É um tipo de situação que, em Prudente, não tem qualquer fiscalização, a gente não vê multa ou punição para quem fica com o som do carro extremamente alto nas ruas”, cita.

“Na cidade é muito comum as pessoas carregarem seus isopores com bebida, pararem o carro na rua com som alto e ficarem por ali. Quando é próximo ao bar, a gente vai pedir para abaixar e eles dizem que estão em local público, daí ligamos para a polícia e eles dizem que temos de ir à delegacia registrar boletim de ocorrência. Não tem como deixarmos o estabelecimento e ir fazer BO. E é aí que as pessoas acabam achando que o barulho todo é do bar e cria-se essa confusão”, completa Sato.

O promotor de Justiça e Cidadania Marcos Akira afirma que neste caso o proprietário deve ter cuidado ao tratar com os condutores. “A responsabilidade de informar é do proprietário do estabelecimento próximo. Neste caso, é necessário um trabalho conjunto com a Polícia Militar para a fiscalização e conscientização da população”, explica.

Para o comandante do 18ª batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Geraldo Fernandes Néspoli Berardinelli, o policiamento para esse tipo de situação é considerado suficiente. “Nós temos naquela região [do O Boêmio] um polo grande de bares. A Polícia Militar trabalha com um número suficiente de viaturas para garantir a segurança. Neste caso, concordo com o promotor: é necessário um trabalho de conscientização,” cita.

Nesta quinta-feira, Berardinelli informou que até 31 de outubro deste ano foram registradas pela PM 5.562 chamadas por perturbação do sossego em Prudente.

Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Prudente, Carlos Dias, uma alternativa será estudada para organizar a situação. “Eu não conhecia a vida noturna de Prudente. Um dia desses sai com meu filho e percebi que realmente temos um grande problema. Na vida temos limites, assim como os bares tiveram o limite dos cigarros, agora terão do volume do som. Nossa intenção é organizar esta situação e vamos estudar a melhor maneira de resolvê-la”, ressalta. 

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