Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

'Surto de dengue reflete descaso da população', diz secretário de Saúde

Paulo Fernandes

Em 24/11/2009 às 17:21

Para o secretário municipal de Saúde de Presidente Prudente, Sérgio Luiz Cordeiro, o risco iminente de uma epidemia de dengue na cidade durante o verão é reflexo do descaso da população, que não estaria adotando as medidas preventivas à proliferação do mosquito transmissor – Aedes aegypti.

“A população está acomodada, não dá atenção a esse problema. Na verdade, é como todo brasileiro pensa: isso nunca vai acontecer comigo. É inaceitável a situação em que estamos, tendo em vista o tanto de programas preventivos que realizamos. Além do que esse foi o ano da gripe suína [influenza A (H1N1)] e todo mundo esqueceu da dengue”, afirma

Segundo informações da Vigilância Epidemiológica Municipal, Prudente já teve nove casos de dengue confirmados este ano, dos quais seis são autóctones – contraídos dentro da própria cidade – e três importados.

“A cada 15 dias o programa ‘Sua Vida Melhor Ainda’ passa nos bairros coletando entulhos, mas a população só se preocupa em se livrar de sofás, geladeira velha e sujeiras nas casas e esquece do foco do mosquito, que é o que realmente importa. Têm de se preocupar com as piscinas, vasos de plantas, garrafas pets, vasilhas de água dos cachorros, terrenos abandonados, entre outros”, afirma Cordeiro.

“Fazemos uma fiscalização intensa. Se estamos a ponto de uma epidemia, isso é uma realidade de descaso dos moradores”, completa o secretário. 

De acordo com ele, em Prudente já circulam os vírus da dengue tipo 1, 2 e 3, o que diante das circunstâncias aumenta a possibilidade de casos de contaminação pela dengue hemorrágica. “Antes tínhamos só um tipo de dengue, então as pessoas podiam contraí-la apenas uma vez, mas o vírus sofreu mutações e se subdividiu em três tipos. Agora as pessoas podem contrair dengue três vezes. E o pior é que esses três vírus já estão circulando na região. Se a população não se atentar, caminharemos para a dengue hemorrágica”, ressalta.

Conforme informação da Secretaria Municipal de Saúde, Presidente Prudente foi dividida em três setores para a realização do Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (Liraa) e um conjunto de bairros considerados nobres apresentou o maior índice. A Pasta, entretanto, não mostrou números.

Os bairros que compõem tal setor são: Jardim da Rosas, João Paulo II, Jardim Caiçara, Jardim Cambuí, Residencial Central Park, Jadim Petrópolis, Jardim Campo Belo, Jardim Icaraí, Jardim Paris, Jardim Morumbi, Jardim Cinquentenário, Jardim Colina, Parque das Cerejeiras, Jardim São Luís, Jardim Aquinópolis, Jardim Bela Dária, Cidade Universitária, Jardim Bongiovani, Vila Industrial e Vila Formosa.

“Isso mostra que ser pobre não é ser sujo. Esses bairros ilustram que não se trata de classe econômica, mas de atitude, pois vemos que são bairros considerados nobres na cidade, ou seja, a dengue não se prolifera só na periferia. O rico acha que a doença nunca vai chegar nele, mas a dengue não escolhe classe social”, declara Cordeiro.

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