Segunda-feira 1 de maio de 2018 | Presidente Prudente/SP

Todos devem contribuir para o progresso, para dele se beneficiar

Eliseu Visconti*

Em 07/12/2009 às 10:00

Mais do que louvável e madura a nova iniciativa da Prefeitura de Presidente Prudente, de implantar a coleta seletiva de lixo, a domicílio.

Numa ação coordenada, que merece o apoio de todos, a Prefeitura, a Prudenco e a Cooperflix, uma cooperativa que reúne ex-trabalhadores dos lixões, passará de casa em casa para recolher o material reciclável deixado pela população.

Entidades comunitárias importantes, como o Rotary, a UNESP, a UNOESTE, a Fapesp e outras, aderiram e participarão deste esforço cívico, que só trará benefícios para todos os envolvidos.

Lucra a cidade, que dará destino a um tipo de lixo passível de reciclagem; lucram os ex-trabalhadores dos lixões, que conquistam uma ocupação digna e de significado social; lucram os bairros e comunidades, que se livrarão do perigo de doenças e acidentes domésticos: cacos de vidro e de plástico, acúmulo de água em recipientes mal protegidos etc.

Temos de aprender que o progresso não é somente o fruto dos investimentos e dos cuidados da administração estatal. A espera passiva pelas iniciativas oficiais não é atitude cidadã. É necessária a participação ativa de todos, pois o Estado não é onipresente, e nem um Deus supremo, que a todos provê, mas somente o indutor de políticas, que para alcançar a todos, depende da solidariedade.

Nas minhas andanças por países pobres, notadamente da África e América Central, pude ver belas construções, feitas por investidores estrangeiros, quase em ruínas, por falta de manutenção. Concluí, então, que construir é só mera questão de dinheiro, mas manter é uma questão de civismo. Por isso, a deposição de lixo nas ruas e logradouros, a depredação de bens públicos e o descaso com o bem comum denotam, inequivocamente, falta de educação e cultura, e nos rebaixa a condição de cidadãos, além de servir de mau exemplo aos semelhantes e descendentes.

Ainda com relação ao lixo, permito-me lembrar ao nosso Prefeito e à Prudenco uma iniciativa tomada na Filadélfia, EUA, que vem dando certo :

Ron Gonen, da Filadélfia, EUA, estava envolvido com reciclagem de lixo e a tinha dificuldades com seus fornecedores, pois faltava-lhes motivação para separar os recicláveis, com um mínimo de disciplina.

Apesar de campanhas para separar o lixo reciclável, os caminhões de lixo cidade retornavam com menos de um quarto da suas cargas preenchidas, e a prefeitura tinha que bancar os seus custos de manutenção. Ele teve, então, uma idéia, que foi atrair as pessoas mediante uma recompensa. Criou o Recycle Bank, (Banco de Reciclagem) que credita pontos aos fornecedores cadastrados, por seus fornecimentos, que podem ser trocados por mercadorias, numa rede de empresas que cresce a cada dia. Já são mais de 300 negociantes de todos os tipos e tamanhos, e mais de 250.000 residências atendidas, em pouco tempo de existência.

Cada família da rota de reciclagem recebe um contêiner, provido de um chip, que armazena as suas informações. Quando o caminhão de coleta de lixo recolhe o contêiner, o chip fornece o peso do conteúdo, e transforma-o em pontos, que são creditados à conta dos respectivos fornecedores. O Banco mantém convênios com diversos comerciantes e lojistas, que aceitam trocar pontos por produtos.

Este é um processo em que todos ganham: os fornecedores, porque são remunerados; as prefeituras, porque recolhem menos e, portanto, manuseiam menos lixo; os negociantes, porque, ao aderir ao esquema, adquirem clientes em potencial; e a comunidade, em geral, por ter um meio ambiente mais limpo.

O Recycle Bank traz um benefício colateral, mas igualmente importante, à mentalidade comunitária, que adquire a crescente noção de que a sua contribuição ao meio ambiente não só é relevante, como também mensurável.

Vê-se, desta forma, que ações coordenadas podem beneficiar todos os protagonistas, e trazer-lhes a noção de que somos parte de um todo, trabalhando no proveito coletivo, mas beneficiários de recompensas pelo nosso engajamento comunitário.

Enquanto não chegamos a algo parecido com um Recycle Bank, colaboremos com a Prefeitura e com a Prudenco, na certeza de que o esforço é válido e meritório.

*O autor é jornalista e escritor

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