Da Redação
Em 18/02/2022 às 21:31
Fóssil da cintura pélvica pesa 500 kg; ele será preservado para estudos em Prudente
(Foto: Thadeu Spósito/Etec)
Descoberto há nove anos no solo de uma fazenda prestes a ser preparado para o plantio de batata doce, entre o município de Alfredo Marcondes e o distrito de Floresta do Sul, em Presidente Prudente, o fóssil de um fragmento de dinossauro de 500 kg e 2,3 metros de envergadura permanecerá na região para a realização de estudos.
Recentemente, o resgate liderado pelo diretor da Escola Técnica (Etec), o agrônomo Thadeu Henrique Novais Spósito, mobilizou parceiros e funcionários da escola, além de colaborar com a logística da operação no fomento da educação e das atividades científicas.
Assim que foi retirado do terreno, o fóssil – a cintura pélvica de um dinossauro – percorreu 32 km até a chegar à Escola Técnica Estadual (Etec) Prof. Dr. Antonio Eufrásio de Toledo.
Encontrado em 2013 por uma equipe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o fóssil de dinossauro saurópode não pôde ser retirado na época devido à falta de verba.
Entre os dias 22 de janeiro e 6 de fevereiro, os ventos começaram a mudar: a Etec serviu de base de alojamento para pesquisadores e paleontólogos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), agora no comando da missão, prontos para içar o fragmento graças à verba liberada pela aprovação do projeto em edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O período chuvoso, porém, concorreu para o adiamento da empreitada. Para preservar a peça, pesquisadores e alunos, sob a coordenação do professor André Piacentini Pinheiro, do campus de São Gonçalo, da UERJ, a revestiram com gesso. Finalmente, no dia 14 de fevereiro, a operação pôde ser concluída, ao menos em parte.
O destino do dinossauro
“A peça está muito frágil e não pode ir para o Rio de Janeiro agora”, explica Spósito, ex-aluno da Etec e atual diretor da unidade. “O próximo passo é estudar o fóssil, que precisa ser preparado em Presidente Prudente”, conta.
Nessa colaboração entre a Etec e a UERJ, os pesquisadores voltarão à unidade prudentina uma vez por semestre para ministrar cursos de Educação Ambiental e Paleontologia, além de percorrer escolas municipais da região.
“Temos que educar os pequenininhos, formar crianças conscientes.”, avalia. “A pandemia do coronavírus nos ensinou que não podemos seguir adiante sem olhar para o passado, e por isso esse trabalho é importante.”
Quase centenária
No próximo mês de junho, a Etec Prof. Dr. Antonio Eufrásio de Toledo, tradicionalmente conhecida como Colégio Agrícola, completa 80 anos. A unidade oferece cursos nas áreas Agrícola, de meio Ambiente e Tecnologia.
A região onde a escola está localizada é conhecida pela quantidade de fósseis encontrada pelos paleontólogos – de aves a dinossauros – e a Etec abriga vários desses fragmentos.
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