ROGÉRIO MATIVE
Em 13/12/2021 às 20:07
Orientação dos especialistas é pela erradicação da figueira, que deve ser substituída por árvores nativas.
(Foto: Arquivo/Secom)
Após a inércia das autoridades em identificar e punir os responsáveis ao longo de quatro anos, os seguidos envenenamentos ganharam a luta contra a figueira centenária localizada ao lado do Parque de Uso Múltiplo (PUM), em Presidente Prudente. Parecer técnico emitido por especialistas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semea) aponta o inevitável: a árvore precisa ser erradicada.
Infestada por fungos, a figueira tombada como "patrimônio paisagístico" teve sua saúde debilitada, o que ocasionou a queda de galhos nos últimos dias. Sem contar com parte de sua estrutura, começou a oferecer risco à segurança de pedestres e motoristas que passam diariamente pela Rua Bela.
Em análise realizada no último dia 6, os engenheiros ambientais da Semea constataram que a espécie se encontra "em estado fitossanitário precário".
"Tais constatações evidenciam um elevado grau de deterioração e comprometimento da condição estrutural, apresentando risco de queda iminente", diz o laudo assinado por Laís Olbrick Rodrigues Menossi e Igor Cabreira da Silva.

A orientação dos especialistas é pela erradicação da figueira, que deve ser substituída por árvores nativas.

Avisados
Apesar do tombamento ser por decreto, o que pode ser revogado a qualquer momento pelo prefeito Ed Thomas (PSB), o secretário municipal de Meio Ambiente, Fernando Luizari, explica que comunicou a Câmara Municipal e o Ministério Público Estadual (MPE-SP) sobre a necessidade de cortar a figueira.
"Damos direito de todos se manifestarem. É importante que todos tenham ciência do ato", diz.
Vitória da impunidade
Feita pelo Portal, ainda em 2019, a denúncia sobre o envenenamento a 'conta-gotas' sensibilizou a população. Na época, professores do Departamento de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp) ofereceram auxílio em busca de reverter a morte lenta da espécie iniciada dois anos antes.
Na ocasião, mesmo possuindo informações sobre os possíveis autores, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semea) revelou que estava 'engessada' por falta de provas e por não contar com estrutura para coletar e realizar exames que constatem o crime ambiental.
Apesar de dois boletins de ocorrência registrados na Polícia Civil e um inquérito aberto no Ministério Público Estadual (MPE-SP), a figueira contou apenas com a instalação de um gradil e a própria sorte, o que não foram suficientes para cessar os ataques.

No fim do ano passado, a reportagem registrou, novamente, o cenário de vários galhos secos, sendo que alguns começaram a cair após a investida de cupins e de outras doenças oportunistas, que se aproveitam da saúde enfraquecida da árvore devido aos diversos envenenamentos enfrentados.
Até o momento, não foram realizadas investigações e, muito menos, identificados os autores do crime ambiental.
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