ROGÉRIO MATIVE
Em 23/12/2021 às 09:49
Infestada por fungos, a árvore teve sua saúde debilitada, o que ocasionou a queda de galhos nos últimos dias
(Foto: Arquivo/Secom)
A Prefeitura de Presidente Prudente publicou, nesta quinta-feira (23), decreto que torna sem efeito a declaração de tombamento como patrimônio paisagístico da figueira centenária localizada na Rua Bela, ao lado do Parque de Uso Múltiplo (PUM). Nos últimos quatro anos, a espécie foi alvo constante de envenenamento, o que causou "estado fitossanitário precário".
Recentemente, engenheiros ambientais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semea) emitiram laudo com a orientação pela erradicação da figueira, que deve ser substituída por árvores nativas.
Infestada por fungos, a árvore teve sua saúde debilitada, o que ocasionou a queda de galhos nos últimos dias. Sem contar com parte de sua estrutura, começou a oferecer risco à segurança de pedestres e motoristas que passam diariamente pela Rua Bela.
"Tais constatações evidenciam um elevado grau de deterioração e comprometimento da condição estrutural, apresentando risco de queda iminente", diz o laudo assinado por Laís Olbrick Rodrigues Menossi e Igor Cabreira da Silva.
Baseando-se pelo parecer técnico, a Prefeitura fará a erradicação. Contudo, para tal, precisou anular o tombamento realizado pelo ex-prefeito Nelson Bugalho (PSDB).
A justificativa
No decreto de destombamento, a Prefeitura aponta que a árvore "vem apresentando deteriorações decorrentes de atos criminosos", sendo que o laudo técnico concluiu pela "irreversibilidade da situação fitossanitária, estrutural e ecológica" da figueira.

O corte
A Prefeitura deve informar, nos próximos dias, a data de erradicação da árvore, o que acarretará em isolamento de ruas e espaços públicos para a realização do procedimento.
Vitória da impunidade
Feita pelo Portal, ainda em 2019, a denúncia sobre o envenenamento a 'conta-gotas' sensibilizou a população. Na época, professores do Departamento de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp) ofereceram auxílio em busca de reverter a morte lenta da espécie iniciada dois anos antes.
Na ocasião, mesmo possuindo informações sobre os possíveis autores, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semea) revelou que estava 'engessada' por falta de provas e por não contar com estrutura para coletar e realizar exames que constatem o crime ambiental.
Apesar de dois boletins de ocorrência registrados na Polícia Civil e um inquérito aberto no Ministério Público Estadual (MPE-SP), a figueira contou apenas com a instalação de um gradil e a própria sorte, o que não foram suficientes para cessar os ataques.
No fim do ano passado, a reportagem registrou, novamente, o cenário de vários galhos secos, sendo que alguns começaram a cair após a investida de cupins e de outras doenças oportunistas, que se aproveitam da saúde enfraquecida da árvore devido aos diversos envenenamentos enfrentados.
Até o momento, não foram realizadas investigações e, muito menos, identificados os autores do crime ambiental.
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Portal Prudentino.